terça-feira, janeiro 22

atonement



Come back. Come back to me.

sábado, janeiro 12

Bem na minha mão



"Abro os olhos e adormeço
Sem a mente fraquejar
Saio pela manhã
De passagem, coisa vã
Derrapagem
Que a viagem
tem princípio, meio e fim

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Não me venham buzinar
Vou tão bem na minha mão
Então vou para lá
Ver o que dá
Pé atrás na engrenagem
Altruísta até mais não

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Presa por um fio
Na vertigem do vazio
Que escorrega entre os dedos
Preso em duas mãos
Que o futuro é mais
O presente coerente na razão
Frases feitas são reféns da pulsação"


Susana Felix, que voz doce :)



Porque das coisas boas não sei escrever
Essas são para as viver e guardar bem dentro de mim
Porque os sonhos são para quando se desperta

As lágrimas existem para serem cuidadas
e os sorrisos para serem beijados
Porque o ciclo continua a crescer
e o presente já deixou e o ser
algures entre a lágrima e o beijo

sábado, dezembro 15

Loucura

"Escuta-me: não se ama uma velha... uma criatura eferma... uma criatura disforme... O amor que devia ser um sentimento todo da alma, é um sentimento só dos sentidos. Ama-se porque é bom amar... esvairmo-nos na derramação de um líquido peganhento... asqueroso... O amor é uma distracção... como o teatro... como as festas da igreja... Ama-se uma mulher porque ela é linda... por causa dos seus cabelos, dos seus olhos, da sua boca... de todo o seu corpo... Pode-se amar uma mulher feia pelos seus vicios estonteantes, perversos... Ah! mas ninguém ama um corpo sem fogo, um corpo de carne mole e repugnante; ninguém beija um rosto sem nariz... uns olhos cegos, uns lábios contraídos na crispação de uma ferida mal cicatrizada... Pois bem! Fosses tu cega, fosse o teu corpo todo uma chaga e eu amar-te-ia com todo o meu amor... com maior amor!" "porque todo o tempo será para ver a tua alma..."

in Loucura de Mário De Sá-Carneiro
É fantástico como uma loucura pode fazer tanto sentido...
A insatisfação da carne, o amor condicional...
Não sei já se fui amada, se quero amar...
No fim tudo fica reduzido a um corpo, ao desejo...
Que é feito da beleza, da pureza que outrora senti?
Estará perdida no tempo?
Quero encontrá-la outra vez...

segunda-feira, dezembro 10

Sossega, coração! Não desesperes!

"Sossega, coração! Não desesperes!

Talvez um dia, para além dos dias,

Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,

Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!

Pobre esperença a de existir somente!

Como quem passa a mão pelo cabelo

E em si mesmo se sente diferente,

Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!

O sossego não quer razão nem causa.

Quer só a noite plácida e enorme,

A grande, universal, solente pausa

Antes que tudo em tudo se transforme."

Fernando Pessoa, 2-8-1933.

quarta-feira, novembro 14

Faz aquilo que te faz sentir bem



Faz aquilo que te faz sentir bem

Partilha com quem te faz sorrir

VIVE o agora

sábado, novembro 10

O meu coração quebrou-se

O meu coração quebrou-se

Como um bocado de vidro

Quis viver e enganou-se...


Fernando Pessoa


quinta-feira, novembro 8

nada sinto, nada sofro




















Nada sinto.

Sim, não sinto nada.

O meu coração continua com fortes palpitaçoes dentro de mim

Espera ser notado

Mas eu já não o sinto

Perdeu a voz

Não que se tenha calado de vez, pois ele continua a gritar embora afónico num esforço vão...

Apenas não o quero ouvir...

Desliguei lhe o som

Já não me conduz os passos

O coração cega, manipula...

destrói-nos por dentro e pensa que está certo

Como se o coração pensasse...

Ele apenas age de acordo com o que sente...

Vai ao encontro daquilo que ama

Mas o que ele ama pode fazer-lhe mal

O coração é masoquista

O coração é egoísta

O coração não pensa!

Não distingue já o correcto do errado

O coração é tonto e impulsivo

Impossível de equilibrar

Por isso desligo-lhe o som...

E assim fico, sem dor...